Quando a medicina já fez o que podia fazer e o sintoma continua ali, é comum sentir que falta um lugar. Alguém disposto a olhar para o corpo sem reduzi-lo a um exame.
Minha trajetória passou pela odontologia, pela pesquisa em dor crônica, pela psicobiologia. Mas o que me trouxe até aqui foi uma constatação simples: o corpo nem sempre fala a língua dos diagnósticos. Ele tem uma memória, um ritmo, uma forma de pedir socorro que escapa dos protocolos.
Isso não significa que a dor não é real, pelo contrário. Significa que ela merece um espaço onde possa ser escutada inteira: como sensação, como história, como contexto de vida.
Nem toda dor pede uma cura. Algumas pedem companhia.
Como acontece
A gente conversa sobre o que o corpo está dizendo agora, sobre o que ele vinha dizendo antes da dor aparecer, sobre o que mudou quando ela chegou. Não como investigação clínica, mas como leitura cuidadosa de uma vida em curso.
Você não precisa ter um diagnóstico para começar. Às vezes começar é o que abre espaço para o diagnóstico fazer sentido.